Fiquei pensando sobre o que escrever no meu primeiro post. Minha primeira ideia foi me apresentar. Mas acho que, cada post, será, de certo modo, uma apresentação. Assim, decidi falar sobre uma das minhas paixões atuais: o Falcor Ludo Andalécio, Fuscão 70 aqui de casa, que é mais conhecido como Bonito.
O Bonito sempre esteve na família. Era de um casal de tios da minha mãe, que tinha um carinho enorme por ele. Mas, depois do falecimento de um deles, o tio Divino, sua esposa, Leony, acabou enfrentando algumas dificuldades e o carro ficou por muito tempo abandonado. Sabendo do afeto da tia pelo Bonito, mas sem ter condições de cuidar dele, e do grande sonho que sempre tive de ter um Fusca, minha mãe o comprou, em 2015. Restauramos o carro todinho e ele tem nos trazido muitas alegrias desde então.

Eu e o Bonito.
Uma delas é que, depois de uma extreme makeover, ele foi certificado como veículo de coleção. Aí, como muita gente me pergunta sobre o processo, resolvi compartilhar minha experiência por aqui.
_____________________________________________________________
É difícil certificar um veículo como de coleção?
É a primeira pergunta que todos me fazem e o que costumo responder é: a certificação é muito fácil, o difícil (e caro) é deixar o carro no padrão de aprovação. No caso do Fusca, ainda é um pouco mais fácil, pois as peças (tipo) originais são mais tranquilas de encontrar, o que não acontece com outros modelos de carros antigos. Uma vez que o veículo segue o padrão de seu modelo, tem mais de 30 anos e está em bom estado de conservação, conseguir a certificação é bem tranquilo.
No nosso caso, antes de começar o processo de certificação, conversamos com vários profissionais da área e colecionadores, para garantir que estávamos escolhendo peças adequadas e que estávamos mantendo o padrão original do carro. Para terem uma ideia, uma dessas pessoas chamou a minha atenção para o fato de que estavam faltando duas borrachinhas da saia traseira, do tamanho da ponta de um dedo. Então, em meio a consultas e pesquisas, fomos bem detalhistas na restauração do Bonito.
De todo modo, algumas coisas, pelo que me parece, desclassificam automaticamente qualquer veículo: uso de alternador e ignição eletrônica, rebaixamento de suspensões, aparelhos de som modernos e coisas que destoem da mecânica, aparência e realidade da época do veículo. Outra coisa importante de se prestar atenção é: as partes e acessórios são do modelo e ano do seu carro? Por exemplo, há cores que só existem em veículos fabricados depois de 70. O tipo de alavanca do vidro do Fusca é diferente nas décadas de 60 e 70. Por aí vai e todos esses detalhes são importantes.

Bonito antes da restauração.
Como é o processo para colocar placa preta?
O primeiro passo é marcar a avaliação com um dos clubes membros da Federação Brasileira de Veículos Antigos. Em 2015, quando iniciamos o processo, entramos em contato com dois clubes de Belo Horizonte: Associação Galaxeiros das Gerais e Veteran Car MG. Acabamos decidindo por marcar a avaliação na AGG, pela agilidade do processo e pela atenção do presidente.
Levamos o carro na residência do presidente do clube, onde são realizadas as avaliações e o Bonito foi aprovado de primeira. No caso, não foi informado nenhum tipo de pontuação, como as pessoas costumam esperar. Apenas soube que o veículo foi aprovado (vi um Fusca ser reprovado logo depois do Bonito). Foram tiradas fotos do carro, em diversos ângulos, para continuidade do processo e, após poucos dias fui contatada para buscar os documentos referentes à certificação. Não me lembro exatamente quais eram esses documentos, mas, se não me engano, foram os seguintes:
Entregues ao clube:
– Ficha cadastral
– Termo de Responsabilidade
– Solicitação de Certificação de Veículo de Coleção
– Cópias de documentos
– Termo de Responsabilidade
– Solicitação de Certificação de Veículo de Coleção
– Cópias de documentos
Entregues pelo clube:
– Certificado de Originalidade
– Cartão de originalidade, para carregar junto com o documento do carro
– Papeis para dar entrada no pedido de alteração de dados junto ao Detran
– Adesivo de avaliação, para ser colocado no veículo.
– Cartão de originalidade, para carregar junto com o documento do carro
– Papeis para dar entrada no pedido de alteração de dados junto ao Detran
– Adesivo de avaliação, para ser colocado no veículo.
Com os documentos em mãos, precisei entrar no site do Detran e fazer o pedido de alteração de categoria do veículo, pagar a taxa do procedimento e levar o Bonito para vistoria da Polícia Cívil, retirada da nova documentação e troca da placa.
Como conseguir isenção de IPVA?
Ao contrário do que muitos pensam, a isenção não é automática quando certifica-se o veículo como de coleção. É preciso acionar o Iepha e a Secretaria de Estado de Fazenda para isso.
Na época, decidimos por não entrar com o pedido de isenção de IPVA, o que fiz este ano. Para isso, o presidente da Associação Galaxeiros das Gerais, muito prestativo, me forneceu o seguinte documento:
– Certificado de avaliação para fins de isenção de IPVA
Com ele, fui ao Iepha, com cópias e originais de alguns documentos pessoais, para solicitar a Declaração de Veículo de Valor Histórico. Com esse documento em mãos, aí sim pude pedir, no site da Secretaria de Estado de Fazenda, a isenção do IPVA. Fiz isso na última semana e os documentos ainda estão em análise pela Secretaria.
Bonito em Ouro Branco.
Quanto custa tudo isso?
Não me lembro os valores exatos, então, apresentarei aqui uma ideia, a partir do que me recordo.
– R$ 300,00 | Cadastro e avaliação do veículo (lembro-me que os valores dos dois clubes que consultei eram praticamente os mesmos)
– R$ 65,00 | Alteração de dados junto ao Detran
– R$ 120,00 | Placas
– R$ 15,00 | Emissão da Declaração de Veículo de Valor Histórico
– R$ 65,00 | Alteração de dados junto ao Detran
– R$ 120,00 | Placas
– R$ 15,00 | Emissão da Declaração de Veículo de Valor Histórico
_____________________________________________________________
Na internet, é possível encontrar alguns “manuais de avaliação”, atribuidos à Federação Brasileira de Veículos Antigos. Não sei sobre a veracidade desses materiais, mas, de todo modo, esse é um deles: manual do avaliador. Imagino que seja pertinente, uma vez que está no site do Clube de Automóveis Antigos de Santos, membro da FBVA, mas não posso garantir. 
Como tem um bocadinho de tempo que vivênciamos a experiência da certificação (dezembro/2015), alguma informação pode ter se perdido, mas espero que ainda assim consiga ajudar quem está querendo saber mais sobre o processo. =)
Nenhum comentário:
Postar um comentário